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25 Fevereiro 2008

Gado argentino tem problemas de rastreabilidade

Famosa nos melhores mercados de carne do mundo, a picanha argentina não tem lá seus melhores padrões de rastreabilidade, apesar de o rebanho argentino ser, pelo menos, três vezes menor do que o do Brasil. Professor e pesquisador do Programa de Agronegócios e Alimentos da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, Hernan Palau, revela à Gazeta Mercantil que, apesar de ser lei no País, a rastreabilidade argentina não funciona como deveria e que há fragilidades no sistema de identificação do gado para os frigoríficos que exportam.

"Não se registram tratamentos nos animais. Sabe-se apenas o número de cada gado, que muitas vezes pode ser falso para "branquear" animais que não tinham identificação. E é isto, teoricamente, que o frigorífico registra na hora de exportar", informa Palau.

A lei Argentina tem uma regulamentação oficial sobre o rastreamento. As resoluções determinam que todo o gado seja identificado para ser engordado, independentemente de seu destino final ser o mercado interno ou externo. "Desta forma, o pecuarista deve pedir as identificações e inserir os dados numa planilha. Entretanto, é muito comum se ouvir que nem todos os animais são vendidos com identificação, há ainda muita informalidade", completa Palau. Ele conta que, em princípio, os animais com identificação tinham um preço diferenciado no mercado, o que não se manteve até o momento.

Dois pesos

Sobre a possibilidade de "vista grossa" da União Européia (UE) na rastreabilidade argentina, Antônio Camardelli , secretário -executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), afirma que possivelmente a Argentina se mostrou com menor risco nas auditorias feitas pela Comissão Européia. No entanto, continua ele, é inevitável não considerar que a pressão da UE sobre o Brasil é maior, pois a Argentina não significa risco para a pecuária européia. "Eles são mais rudes conosco porque somos uma fronteira capaz de suprir e tirar o lugar dos outros. A Irlanda perdeu mercado da Rússia, do Egito e da Argélia, apesar de uma subvenção de ? 500. E ainda assim, ela nunca vai ser competitiva como o Brasil", alfineta. Ele acrescenta que, mesmo com deficiências no Sisbov, a chance de qualquer gado do Brasil ter problemas é próximo de zero, é negligenciado.

Pontos fracos

Sérgio De Zem, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) afirma que a revisão do sistema de rastreabilidade no Brasil precisa considerar alguns pontos importantes para ser factível. "Se você colocar brinco em todos os bezerros quando nascem e colocá-los a pasto, como ocorre na maior parte do rebanho do Brasil, dificilmente eles estarão todos brincados até o momento de abate".

Outra falha que precisa ser resolvida é quanto à documentação dos insumos que são aplicados no rebanho. "Muitas fazendas não têm cálculo de custo de produção e nem controle de notas fiscais de insumos. Como elas vão poder certificar o manejo do gado", questiona De Zem. Para Camardelli, é preciso que o Sisbov seja revisto para ter baixo custo e fácil acesso ao pecuarista. "Se for difícil para a origem implantar, o sistema nasce morto", afirma.

Com informações da Gazeta Mercantil

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08 Fevereiro 2008

Italia implanta rastreabilidade para produtos veterinarios

Para garantir a rastreabilidade dos produtos veterinários até o consumidor final, exigência cada vez mais comum não apenas na União Européia, mas também em todo mundo, o governo italiano acaba de publicar decreto oficial tornando obrigatória a utilização de código de barras com leitura ótica em cada embalagem de medicamento veterinária naquele país.
O decreto, publicado em 28 de janeiro de 2008 está sendo aplicado desde o primeiro dia de janeiro, traz algumas exigências quanto ao uso do código de barra individual nas embalagens dos produtos veterinários que serão comercializados. Pelo decreto, o código de barras aplicado pelo fabricante deverá conter, no mínimo, a identificação precisa de medicamento veterinário, a data de vencimento e o número de lote de fabricação. Além disso, o código deve ser impresso diretamente na embalagem do medicamento ou aplicado com adesivo não removível. Quando se tratar de medicamentos imunológicos para uso veterinário que pedem a conservação à temperatura de congelamento, o fabricante deve aplicar os códigos apenas na embalagem externa.
As embalagens sem o código mencionado ou fora das especificações do decreto não serão aceitas no canal de distribuição. Porém, os produtos veterinários sem os códigos de barra ou dotados de códigos diferentes das instruções do decreto, produzidos antes de primeiro de janeiro de 2008, poderão ser comercializados pela indústria pelo período de validade contido na embalagem. Além disso, até 31 de dezembro de 2008 é possivel utilizar também o código de barras linear com o número de registro de autorização de comércio atribuído pelo Ministério da Saúde da Itália.
Para Sebastião Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC) e consultor do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), a obrigatoriedade de rastrear produtos veterinários tem sido cada vez mais exigida em escala mundial. “A iniciativa é importante para os que desejam exportar e poderá ser implantada em futuro próximo no mercado nacional devido às exigências indiretas dos importadores europeus de produtos de origem animal do Brasil”. Guedes que representa o Brasil na IFAH (Federação Internacional de Saúde Animal) informa que a entidade dispõe de um pacote orientativo a respeito do tema.

Fonte: Texto Assessoria

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