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25 Abril 2008

Etanol atrai grandes negocios ao Pais

Sob ataque cerrado no mercado internacional, o etanol brasileiro dá sinais de ter chegado à maturidade. Dois grandes negócios na área da agroenergia foram anunciados ontem. A BP, gigante britânica do petróleo, comprou metade de uma joint venture entre Santelisa Vale e Grupo Maeda para produzir etanol em Goiás. Juntas, vão investir R$ 1,66 bilhão em açúcar e álcool. A Cosan, gigante brasileira do etanol, adquiriu 100% dos ativos da Esso por US$ 826 milhões.

A oferta da Cosan pegou o mercado de surpresa. Várias empresas disputaram o negócio, mas os candidatos mais prováveis à compra eram a GP Investimentos e a Petrobrás, que levaria a Esso em parceria com a mineira AleSat.

Com a aquisição, a Cosan vai virar uma espécie de Petrobrás do álcool. Dominará toda a cadeia do combustível - da produção à distribuição. Trata-se da primeira produtora de etanol do mundo a deter esse sistema totalmente integrado. Além da rede de 1.500 postos, o pacote inclui também a fábrica de lubrificantes da Exxon Mobil.

A explosão das vendas de carros e do consumo de etanol no Brasil - que em fevereiro superou o de gasolina pela primeira vez em anos - foi o principal estímulo para a Cosan estrear no segmento. ´O preço do petróleo em níveis elevados e a crescente atenção a questões ambientais também contribuíram para nossa decisão´, diz o diretor de relações com o investidor da Cosan, Paulo Diniz. ´O momento é considerado ímpar. A Esso era uma oportunidade única de explorar o setor, que tem poucas alternativas de entrada.´

O setor de distribuição é extremamente concentrado no Brasil. Cerca de 80% está nas mãos de alguns poucos grupos, liderados pela Petrobrás, dona da rede de postos BR. Até o ano passado, a Esso era a quinta maior. Tinha 7,2% do mercado, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Embora o mercado tenha crescido quase 10% no ano passado, a Esso não acompanhou o ritmo dos concorrentes. A receita líquida caiu 0,9%, para R$ 9,2 bilhões.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que a venda da Esso para a Cosan deverá beneficiar a concorrência e o consumidor. ´Nada contra os estrangeiros, mas fico satisfeito com a presença de uma empresa brasileira numa operação desse porte.´

Os executivos não revelaram o plano de investimentos em expansão da rede, mas disseram que querem recuperar a participação histórica de mercado da Esso. Eles afirmaram que a Cosan não vai disputar os ativos da Esso na América Latina e que a compra não inviabiliza investimentos programados para a produção de etanol.

Patrícia Cançado
Fonte: O Estado de S. Paulo

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26 Fevereiro 2008

A producao do etanol x culturas alimentares

A aliança entre Brasil e os EUA na produção de etanol como fonte de energia é um grande negócio capitalista que tem como fundamento o lucro, sem pensar nos prejuízos para o meio ambiente e a substituição das terras agriculturáveis da produção de alimentos pela cultura da cana-de-açúcar, com vistas a produzir etanol, sendo a cultura da cana-de-açúcar responsável por 3,5% do PIB do Brasil que exporta cerca de US$ 8 bilhões. Os problemas ambientais são uma constante neste tipo de cultura por causa das queimadas que levam a uma atividade poluente e cada vez mais perdulária e estão sendo feitas leis ligadas ao meio-ambiente para proibir esta ação predatória. Os trabalhadores bóias-frias continuarão a ser explorados como acontece atualmente quando recebem R$ 2,50 por tonelada de cana cortada em Ribeirão Preto e na década de 80 o trabalhador volante fazia cinco toneladas de corte de cana por dia, mas com a mecanização passou a fazer oito toneladas diariamente. O trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar é muito desgastante, pois cortam a cana curvados, usam roupas desconfortáveis para que não sejam feridos pela folha da cana e muitos utilizam drogas para agüentar o cansaço da jornada de trabalho, existem muitas mortes por esse motivo nos canaviais de todo o Brasil. A produtividade média do corte da cana é de cinco dias de trabalho por um de folga e o salário mensal R$ 500, 00, mas 50% dos trabalhadores do setor ganham menos que isso em todo o país.

O aumento do preço das terras agriculturáveis no Brasil é um fato com o objetivo de produzir etanol e isso deverá levar a mais concentração agrária em nosso país, pois os investimentos privados de empresas internacionais no setor devem aumentar bruscamente nos próximos anos. A Cargill maior grupo do mundo na área de comercialização de alimentos entrou de cabeça no mercado de energia comprando usinas para a produção de etanol em nosso país. O mercado de etanol movimentou um total de US$ 6 bilhões no Brasil em 2005 e até 2010 deve chegar a US$ 15 bilhões. Os números dos negócios do álcool em 2005 foram os seguintes: US$ 2,9 bilhões com a venda de álcool para misturar à gasolina, US$ 2,2 bilhões com a venda de álcool combustível e mais uma série de atividades que totalizam US$ 6,2 bilhões. Das 5 maiores empresas produtoras de álcool no mundo duas são dos EUA e três estão no Brasil e são elas: a ADM (EUA), que produz 4 bilhões de litros anualmente; a Coopersucar (Brasil), que gera um total 2.700 milhões de litros por ano; a Cristalsev (Brasil), que tem uma produção de 1.030 milhões de litros em um ano; a Cosan (Brasil), que produz 1 bilhão de litros anualmente e finalmente a Versa Sun Energy (EUA), que tem uma produção de 871 milhões de litros por ano.

Na visão do MST está errada a política de substituição das culturas tradicionais pelos agro-combustíveis que na verdade não se preocupam com danos ambientais e para a saúde do ser humano e de outras espécies com o uso dos trangênicos na agricultura brasileira. Por outro lado, a posição da direção dos sem-terra é de que com a produção de etanol da cana-de-açúcar iremos voltar à monocultura, o que é muito prejudicial ao meio ambiente, pois destrói a biodiversidade e aumenta a incidência de pragas nas lavouras, além de ser um grande incentivo ao êxodo rural, pois somente sobreviverão os grandes produtores e com isso a agricultura familiar será prejudicada e os trabalhadores rurais serão expulsos do campo e, na maioria das vezes, se tornarão bóias frias ou sem-terra. Esta ofensiva dos EUA para o uso dos agro-combustíveis é uma resposta à resistência ao império, à postura nacionalista dos governos da Venezuela e do Irã que usam o petróleo como forma de se defenderem das agressões militares de Washington em todo o mundo. Pelo acordo entre os governos dos EUA e do Brasil serão construídas um total de 100 usinas em território brasileiro para abastecer o mercado norte-americano de automóveis e isso é repudiado pelo MST que defende que a prioridade dos transportes em todo o mundo deveria ser coletivo e de massas, além dos movidos a energias alternativas não poluentes, como bicicletas, trens e metrôs.

Fonte: Inverta

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25 Fevereiro 2008

Petrobras cria diretoria para tratar de etanol e biodiesel

O engenheiro Alan Kardec Pinto foi o escolhido para assumir a nova diretoria de Biocombustíveis cuja criação deverá ser sacramentada na próxima quinta-feira pelo Conselho de Administração da Petrobras.

A nomeação, indesejada pelo PT, que preferia o executivo na Diretoria de Abastecimento da estatal, foi sacramentada na última semana, no bojo das articulações para acomodar nomes do PMDB na empresa.

Liderados pelo governador da Bahia, Jacques Wagner, os petistas ainda vão tentar uma cartada final para transformar Kardec em diretor de Abastecimento. Para isso, já teriam até aceitado sacrificar Guilherme Estrella, atual diretor de Exploração e Produção e um dos fundadores do PT, que cederia a vaga para o atual titular do Abastecimento, Paulo Roberto Costa.

Pela configuração definida na última semana, porém, a única mudança acertada seria a criação da diretoria de Biocombustíveis. Tanto Estrella quanto Costa deverão permanecer em seus lugares atuais. A situação que ainda permanece incerta é a do diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró, cuja cadeira tem sido alvo de cobiça do PMDB da Câmara há pelo menos um ano.

Articulada pelos deputados Fernando Diniz (MG) e Eduardo Cunha (RJ), que querem Jorge Zelada no lugar de Cerveró, a mudança não agrada, a princípio, à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas pode ocorrer na ciranda de negociações com o principal partido da base aliada. Além de Dilma e do senador petista Delcidio do Amaral Gomes, Cerveró conta a seu favor, curiosamente, com o apoio dos pemedebistas do Senado - aí incluídos os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP).

Esta semana promete ser agitada nos corredores da Petrobras, principalmente nos dias que vão anteceder a reunião de quinta-feira do conselho da empresa. Nos próximos três dias, o grupo ligado a Jacques Wagner - que também inclui outros governadores do Nordeste - promete fazer carga pesada sobre o articulador do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio. A intenção é reverter a indicação de Kardec para a diretoria de Biocombustíveis, considerada uma espécie de prêmio de consolação pelo partido.

Qualquer que seja o destino de Kardec, no entanto, um interlocutor do PMDB avalia que a nomeação do executivo para a diretoria de Biocombustíveis deverá, por si só, criar um mal-estar no primeiro escalão da estatal. Essa mesma fonte lembra que, em 2006, quando ocupava o posto de gerente executivo de Refino da Diretoria de Abastecimento, o executivo protagonizou um desentendimento com Paulo Roberto Costa. Segundo fontes internas da companhia, Costa o teria demitido por avaliar que Kardec teria articulado sua própria indicação para a diretoria de Abastecimento, quando o executivo ainda convalescia de uma enfermidade que quase o levou à morte.

A pedido dos próprios petistas, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli decidiu manter Kardec na companhia, ao acomodá-lo na presidência da estatal, como uma espécie de assessor pessoal. Mesmo que não venha ocupar o cargo de Costa, que tem apoio do PMDB, Kardec terá que conviver pelos próximos anos com o desafeto.

Em termos técnicos, caberá a Kardec dar seguimento aos investimentos da empresa em projetos de etanol e biodiesel. Atualmente sob o comando de Costa, tais projetos envolvem não só a construção de usinas de etanol para exportação, em parceria com a iniciativa privada, como também a implementação do primeiro álcoolduto do mundo, em parceria com a Camargo Corrêa e a trading japonesa Mitsui. Também ficarão sob a responsabilidade de Kardec os investimentos na cadeia do biodiesel.

Indicação deve criar mal-estar entre funcionários da petrolífera

Qualquer que seja o destino de Alan Kardec, um interlocutor do PMDB avalia que a nomeação do executivo para a diretoria de Biocombustíveis deverá, por si só, criar um mal-estar no primeiro escalão da estatal. Essa mesma fonte lembra que, em 2006, quando ocupava o posto de gerente executivo de Refino da Diretoria de Abastecimento, o executivo protagonizou um desentendimento com Paulo Roberto Costa. Segundo fontes internas da companhia, Costa o teria demitido por avaliar que Kardec teria articulado sua própria indicação para a diretoria de Abastecimento, quando o executivo ainda convalecia de uma doença.

A pedido dos próprios petistas, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, decidiu manter Kardec na companhia, ao acomodá-lo na presidência da estatal, como uma espécie de assessor pessoal. Mesmo que não venha ocupar o cargo de Costa, que tem apoio do PMDB, Kardec terá que conviver pelos próximos anos com o desafeto.

Em termos técnicos, caberá a Kardec dar seguimento aos investimentos da empresa em projetos de etanol e biodiesel. Atualmente sob o comando de Costa, tais projetos envolvem não só a construção de usinas de etanol para exportação, em parceria com a iniciativa privada, como também a implementação do primeiro alcoolduto do mundo, em parceria com a Camargo Correia e a trading japonesa Mitsui. Também ficarão sob a responsabilidade de Alan Kardec os investimentos na cadeia do biocombustível.

Fonte: Gazeta Mercantil

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07 Fevereiro 2008

Etanol vai ter padrao mundial em 2008

A fim de criar as condições para transformar os biocombustíveis em commodities, a força-tarefa integrada por técnicos de Brasil, União Européia (UE) e Estados Unidos concluiu a primeira etapa de harmonizar as especificações técnicas do etanol e do biodiesel. Já foram identificadas as divergências e convergências entre as normas fixadas por cada parte e, neste ano, o grupo trabalhará para alinhar os diferentes padrões e avaliar os custos. A meta é concluir essas ações até o fim de 2008, para que a análise das implicações para o comércio comece antes de dezembro e continue em 2009.

Fonte: Gazeta Mercantil

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