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26 Fevereiro 2008

A producao do etanol x culturas alimentares

A aliança entre Brasil e os EUA na produção de etanol como fonte de energia é um grande negócio capitalista que tem como fundamento o lucro, sem pensar nos prejuízos para o meio ambiente e a substituição das terras agriculturáveis da produção de alimentos pela cultura da cana-de-açúcar, com vistas a produzir etanol, sendo a cultura da cana-de-açúcar responsável por 3,5% do PIB do Brasil que exporta cerca de US$ 8 bilhões. Os problemas ambientais são uma constante neste tipo de cultura por causa das queimadas que levam a uma atividade poluente e cada vez mais perdulária e estão sendo feitas leis ligadas ao meio-ambiente para proibir esta ação predatória. Os trabalhadores bóias-frias continuarão a ser explorados como acontece atualmente quando recebem R$ 2,50 por tonelada de cana cortada em Ribeirão Preto e na década de 80 o trabalhador volante fazia cinco toneladas de corte de cana por dia, mas com a mecanização passou a fazer oito toneladas diariamente. O trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar é muito desgastante, pois cortam a cana curvados, usam roupas desconfortáveis para que não sejam feridos pela folha da cana e muitos utilizam drogas para agüentar o cansaço da jornada de trabalho, existem muitas mortes por esse motivo nos canaviais de todo o Brasil. A produtividade média do corte da cana é de cinco dias de trabalho por um de folga e o salário mensal R$ 500, 00, mas 50% dos trabalhadores do setor ganham menos que isso em todo o país.

O aumento do preço das terras agriculturáveis no Brasil é um fato com o objetivo de produzir etanol e isso deverá levar a mais concentração agrária em nosso país, pois os investimentos privados de empresas internacionais no setor devem aumentar bruscamente nos próximos anos. A Cargill maior grupo do mundo na área de comercialização de alimentos entrou de cabeça no mercado de energia comprando usinas para a produção de etanol em nosso país. O mercado de etanol movimentou um total de US$ 6 bilhões no Brasil em 2005 e até 2010 deve chegar a US$ 15 bilhões. Os números dos negócios do álcool em 2005 foram os seguintes: US$ 2,9 bilhões com a venda de álcool para misturar à gasolina, US$ 2,2 bilhões com a venda de álcool combustível e mais uma série de atividades que totalizam US$ 6,2 bilhões. Das 5 maiores empresas produtoras de álcool no mundo duas são dos EUA e três estão no Brasil e são elas: a ADM (EUA), que produz 4 bilhões de litros anualmente; a Coopersucar (Brasil), que gera um total 2.700 milhões de litros por ano; a Cristalsev (Brasil), que tem uma produção de 1.030 milhões de litros em um ano; a Cosan (Brasil), que produz 1 bilhão de litros anualmente e finalmente a Versa Sun Energy (EUA), que tem uma produção de 871 milhões de litros por ano.

Na visão do MST está errada a política de substituição das culturas tradicionais pelos agro-combustíveis que na verdade não se preocupam com danos ambientais e para a saúde do ser humano e de outras espécies com o uso dos trangênicos na agricultura brasileira. Por outro lado, a posição da direção dos sem-terra é de que com a produção de etanol da cana-de-açúcar iremos voltar à monocultura, o que é muito prejudicial ao meio ambiente, pois destrói a biodiversidade e aumenta a incidência de pragas nas lavouras, além de ser um grande incentivo ao êxodo rural, pois somente sobreviverão os grandes produtores e com isso a agricultura familiar será prejudicada e os trabalhadores rurais serão expulsos do campo e, na maioria das vezes, se tornarão bóias frias ou sem-terra. Esta ofensiva dos EUA para o uso dos agro-combustíveis é uma resposta à resistência ao império, à postura nacionalista dos governos da Venezuela e do Irã que usam o petróleo como forma de se defenderem das agressões militares de Washington em todo o mundo. Pelo acordo entre os governos dos EUA e do Brasil serão construídas um total de 100 usinas em território brasileiro para abastecer o mercado norte-americano de automóveis e isso é repudiado pelo MST que defende que a prioridade dos transportes em todo o mundo deveria ser coletivo e de massas, além dos movidos a energias alternativas não poluentes, como bicicletas, trens e metrôs.

Fonte: Inverta

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