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26 Fevereiro 2008

Dow aposta no Brasil como plataforma para o Plastico Verde

A Dow, maior empresa química dos Estados Unidos e maior fabricante de polietileno do mundo, decidiu apostar na cana-de-açúcar brasileira como fonte alternativa de matéria-prima para alimentar sua futura produção de resinas plásticas. A empresa está buscando diversificar e reduzir sua dependência das fontes de matérias-primas fósseis, como nafta e gás, rotas usuais para a produção de polietileno.

"A matéria-prima que usaremos será ar, água e sol", afirmou na quarta-feira o presidente mundial da Dow Chemical, Andrew Liveris, que veio para São Paulo para o anúncio do projeto. "Quando pensamos em biocombustíveis, o Brasil desponta como líder."

A fabricante americana e a brasileira Crystalsev, uma das maiores trading de açúcar e álcool, anunciaram parceria para a construção no país do primeiro pólo alcoolquímico integrado do mundo. A intenção do acordo é produzir o plástico verde, de fonte renovável, a partir de 2011. A Cristalsev é controlada por usinas, como Santa Elisa e Vale do Rosário, segundo maior grupo do país, que está em processo de fusão - fornecerá 700 milhões de litros de etanol que serão convertidos em eteno e, depois, transformados em 350 mil toneladas de polietileno.

As duas empresas vão formar uma joint venture em partes iguais. O projeto consiste na construção de uma usina de álcool, com capacidade de processar 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, ligada a uma nova fábrica de polietileno, capaz de produzir 350 mil toneladas anuais desta resina usada em embalagens e filmes plásticos.

A localização do pólo alcoolquímico, que deve gerar aproximadamente 3,2 mil empregos diretos, não foi definida, mas poderá ficar próximo das usinas de açúcar e álcool da Crystalsev, situadas no eixo entre São Paulo e Minas Gerais, a fim de aproveitar a infra-estrutura existente, como logística e terras.

As empresas vão estudar nos próximos 12 meses a viabilidade do projeto. Nem a Dow nem a Crystalsev revelaram quanto investirão. Mas especialistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico avaliam que o complexo industrial pode exigir algo entre US$ 600 milhões a US$ 800 milhões. Se conseguirem atrair transformadores de plástico, a cifra poderá ultrapassar o US$ 1 bilhão, segundo analistas.

Segundo Pedro Suarez, presidente da Dow para a América Latina, o mercado interno brasileiro, que cresce 6% a 7% ao ano, será o destino principal para resina verde.

A tecnologia para produção de plástico a partir da cana-de-açúcar já foi usada no passado no Brasil pela Union Carbide, empresa comprada pela Dow em 2000. A idéia ressuscitou diante da disparada dos preços de derivados de petróleo nos últimos três anos.

Suarez disse que projeto é competitivo em todos os cenários de preço de petróleo projetados pelos analistas, que oscilam entre US$ 50 a US$ 75 por barril. Ontem, o WTI para agosto subiu 87 centavos de dólar, cotado a US$ 75,92.

Como subproduto da produção de polietileno, o projeto também deve gerar energia a partir do bagaço de cana, que será suficiente para suprir uma cidade de 500 mil habitantes. "A estimativa é que se retire cerca de 700 mil toneladas de gás carbônico da atmosfera", afirmou o diretor comercial de plásticos da Dow para a América Latina, Diego Donoso.


Fonte: Valor Econômico

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