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18 Fevereiro 2008

Brasil precisa aprender a ser primeiro mundo

“A política econômica européia é uma brutalidade”. A fala é do ex-ministro da Agricultura de FHC, presidente do Conex (Conselho Extraordinário de Relações Nacionais e Internacionais para o Desenvolvimento Econômico do MS) e da Abiec (Associação das Indústrias Exportadoras de Carne), Marcus Vinícius Pratini de Morais, de 70 anos, durante a 12ª Showtec, feira de tecnologia voltada ao agronegócio que terminou ontem oje em Maracaju/MS, a 153 quilômetros de Campo Grande.

Uísque escocês

“Vamos quebrar as garrafas de uísques escocesas!”, afirmou ele à imprensa visivelmente aborrecido com a situação a qual o país se submete frente ao movimento dos produtores irlandeses e escoceses que querem tirar o Brasil da disputa do mercado europeu. OMC - Pratini considera a situação injusta e defende que seja denunciada para a OMC (Organização Mundial do Comércio).

O ex-ministro é categórico ao dizer que interesses comerciais estão por trás do discurso de que a preocupação sanitária seja o entrave para a carne brasileira no mercado europeu.

Em dez anos o Brasil aplicou US$ 2 bilhões na erradicação de doenças do rebanho brasileiro, principalmente da febre aftosa, enfermidade que representa a principal barreira no comércio internacional para a exportação de carne bovina.

“Temos 5 milhões de propriedades e 200 milhões de cabeças de gado. Inventam rastreabilidade para impor restrições”.

A credibilidade do País está afetada. Os europeus temem a febre aftosa e dizem que há dois anos alertam as autoridades brasileiras. Para Pratini essas exigências trazem à tona o interesse comercial. Segundo ele, os europeus querem dificultar o quanto puder a presença da carne brasileira na Europa. Pratini acredita que o Brasil consiga até junho reverter a situação que deverá resultar em US$ 80 milhões de prejuízos para a indústria todos os meses.

Porém, o ex-ministro garante que o abastecimento do mercado interno tem garantido oxigênio ao agronegócio.

Primeiro lugar

“O Brasil não pode ter medo de perder. Ou aprende a se comportar como o 1º no mundo no agronegócio ou terá prejuízos”. “Somos o número um no café, suco de laranja, em produção bovina, segundo em frango, terceiro em suínos, primeiro no álcool e no etanol. Não temos que nos submeter a processo burocrático”.

O ex-ministro chama de agressiva e incompetente a postura da União Européia. Em tom de criticas a postura do governo brasileiro nessas negociações, Pratini apontou restrições sofridas pelos produtos brasileiros e comparações. Nos Estados Unidos produtos brasileiros são taxados assim como na Europa, onde o imposto chega até 176%. “Qual o produto que entra no Brasil com essa taxa de imposto? “.

Doha

A Rodada de Doha (Agenda Doha de Desenvolvimento) foi questionada por Pratini. “O Brasil jogou todas suas ficha em Doha e OMC e não conseguimos vantagem para coisa nenhuma até agora”.

A Doha é a mais recente negociação para derrubar barreiras comercias entre os países. Ela foi lançada em 2001, em um encontro da OMC (Organização Mundial do Comércio) no Qatar. Em 2006, a Fao (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) afirmou que o fracasso da Rodada de Doha para a liberalização do comércio foi porque não soube resolver os problemas dos países em desenvolvimento. Na ocasião veio à tona " a luta para obter vantagens nos mercados agrícolas por parte das grandes potências, empresas e grupos de pressão".

Em fevereiro deste ano, a OMC apresentou nova versão do que deve ser um acordo final da Rodada Doha. Entre as propostas, está previsto o corte de tarifas de importação para os produtos industriais nos países emergentes, como o Brasil, de mais de 63%. Em troca, os europeus incrementariam a abertura de seu mercado agrícola em alguns pontos porcentuais e os norte-americanos aceitariam um teto de no máximo US$ 16,4 bilhões nos subsídios que distribuem todos os anos.

“Temos que nos livrar desses abusos protecionistas e termos regras bilaterais. Por que não podemos fazer acordo com a Itália se ela depende do Brasil? “. Pratini cita o colchão mole como produto brasileiro de preferência dos italianos.

Segundo ele, a União Européia precisa liberar os países para negociarem.

Desinformação

O ex-ministro acredita que a desinformação seja outro entrave para as negociações comerciais. A partir do momento que notícias negativas causam insegurança ao setor “gera volatibilidade nos negócios”. “Temos que buscar mais estabilidade porque ajuda a baixar os juros”.

Perspectivas

“Após o embargo ser eliminado precisamos nos preparar para atender a Europa. Não podemos viver a mercê de meia dúzia de veterinários que nos impõem medidas e prejuízos muito grandes.

Com informações do Midiamax.

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